quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Astrônomos flagram estrela devorando outra e gerando planetas

"Uma equipe de astrônomos pode ter flagrado uma estrela no ato de devorar outra e criando uma segunda geração de planetas a partir do disco de "sobras".
Usando dados do Observatório de Raios X Chandra, o grupo de Joel Kastner, do Instituto de Tecnologia de Rochester, encontrou sinais de que uma estrela variável na constelação de peixes, BP Piscium, não é a estrela jovem que aparenta ser, mas sim uma gigante vermelha que engoliu uma estrela ou planeta da vizinhança, diz nota divulgada pelo instituto.
O artigo científico que descreve a hipótese será publicado no periódico Astrophysical Journal Letters.

Ilustração de BP Piscium, com disco e jatos de matéria
Foto: Estadão
Desde que foi descoberta há 15 anos, a estrela vem confundindo os cientistas, ao apresentar características tanto de um astro jovem quando de uma estrela velha.
Kastner atribui a possivelmente enganosa juventude da estrela a duas coisas: um disco de material que lembra os discos onde se formam planetas ao redor de estrelas novas e os jatos de material que partem dos polos do astro. Uma estrela jovem acumula material do disco, que cai em sua direção, absorvendo cerca de 90% do que cai e reciclando o restante para o espaço, através dos jatos.
Outros detalhes, no entanto, apontam na direção oposta. Por exemplo, a estrela existe isolada, enquanto que a maioria das estrelas jovens se formam em aglomerados.
Os dados do Chandra mostram que a estrela é uma fonte pobre de raios X, o que vai contra a hipótese de juventude. Em nota, Kastner refere-se a esse dado como "o prego no caixão" da ideia de que BP Piscium seria uma estrela de formação recente.


BP Piscium (no centro) e prováveis discos
e jatos de matéria "saindo" dela.

A taxa de emissão, de acordo com ele, é compatível com a de estrelas velhas que giram rapidamente, de uma classe que, acredita-se, surge quando uma estrela engole outra.
"As companheiras dessas estrelas gigantes caíram dentro delas e fazem com que girem mais rápido", explica Kastner. "Nossa hipótese de trabalho é que estamos olhando para a estrela bem no ponto em que ela acabou de engolir a companheira e, assim, formou o disco. pare do material que compunha a companheira caiu na estrela, e parte foi expelido em alta velocidade, e é a isso que estamos assistindo".
Embora planetas próximos que eventualmente existissem tenham sido engolidos quando a estrela se tornou uma gigante vermelha, uma segunda rodada de formação de planetas pode estar em andamento no disco, centenas de milhões de anos após a primeira.
Outro artigo científico, baseado em dados do telescópio espacial Spitzer, indica evidência de um planeta gigante no disco. Esse pode ser um novo exoplaneta, ou um que sobreviveu ao cataclismo."

Fonte: Estadão

Cometa 103P/Hartley 2 - Outubro de 2010

Passagem do Cometa em Outubro: Atualmente está visível no hemisfério norte com magnitude 7,4. Mas ao atingir o periélio, em 22 de outubro, estará bem sobre a acliptica, acredito que será visível nos dois hemisférios.

Sua órbita é externa à da Terra, o que significa que não teremos o sol para atrapalhar.

Só não sei se ele ainda tem material brilhante na superfície suficiente para atingir magnitude visível a olho nú, pois ele é periódico e tem um período relativamente curto.(6,47 anos). Deve estar "gasto".

103P/Hartley 2 - Novembro/1997
Sobre o Cometa: O cometa Hartley 2, designado oficialmente 103P/Hartley, é um pequeno cometa periódico com um período orbital de 6,46 anos. Ele foi descoberto por Malcolm Hartley em 1986, com o telescópio Schmidt Unidade de Siding Spring, na Austrália. O seu diâmetro é Estimado entre 1,2 e 1,6 km.

Há previsto um sobrevôo do Hartley 2 pela nave espacial Deep Impact, com uma maior aproximação de 700 quilômetros em 04 de novembro de 2010. Esta é uma parte da missão EPOXI.

O cometa passará a 0,12 UA da Terra no dia 20 de outubro de 2010, o que é apenas oito dias antes da sua chegada ao periélio, em 28 de outubro de 2010. Durante esta passagem, o cometa, dependendo das condições do local da observação, poderá ser observado a olho nu, com magnitude 4.1. Binóculos deve torná-lo um alvo fácil.

Cometa 103P/Hartley 2

Espiral ao lado de estrela gigante

"O que criou esse enorme e misterioso espiral espacial? Nenhum astrônomo sabe ao certo. Suspeita-se que seja um sistema binário de estrelas que entrou em uma fase de nebulosa planetária, quando sua atmosfera exterior foi ejetada.

O espiral tem meio ano luz de comprimento e tem uma taxa de expansão incrível: a cada 800 anos uma nova camada de poeira deve aparecer.
Misterioso espiral (esquerda) e estrela gigante.
Essa estrutura desconhecida foi catalogada como IRAS 23166+1655.

A foto foi tirada em infravermelho pelo Hubble. Suspeita-se que a iluminação do espiral misterioso seja proveniente de estrelas próximas mas, novamente, nenhum astrônomo tem certeza"

Fonte: Hypescience

ESO divulga imagem de estrela gigante bebê

Navegando pela comunidade "Astronomia", vi um tópico do Ivan, jornalista e redator do portal Terra, sobre a imagem da estrela gigante bebê. Achei muito linda a imagem, e vou postar aqui com o textinho.

"O Observatório Espacial Europeu (ESO) divulgou nesta terça-feira a imagem de uma estrela maciça bebê. A imagem inédita é uma sobreposição de imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Spitzer, da Agência Espacial Americana (Nasa), e pelo telescópio do ESO em terra. As informações são da agência AFP.


A imagem prova que as estrelas maciças nascem da mesma forma de suas 'irmãs' menores
 Foto: AFP

Segundo os astrônomos, a imagem é a primeira evidência direta de que as estrelas muito grandes – aquelas que têm a massa no mínimo 10 vezes maior que o nosso Sol – nascem da mesma forma que as irmãs menores, a partir de uma nuvem de poeira e gás em forma de disco."

Fonte: Notícias Terra/Créditos ao Ivan, jornalista e redator do portal Terra.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Astrônomos descobrem sistema planetário semelhante ao Solar

Astrônomos do Observatório Europeu do Sul descobriram um sistema planetário com pelo menos cinco planetas que orbitam uma estrela semelhante ao Sol, chamada HD 10180, a 127 anos-luz de distância da Terra. Os pesquisadores também têm a evidência da existência de mais dois planetas, um dos quais teria a menor massa já descoberta. Isso tornaria o sistema similar ao nosso Sistema Solar, em termos de número de planetas (sete em relação a oito do Sistema Solar). Além disso, a equipe também encontrou evidências de que as distâncias dos planetas da estrela seguem um padrão regular, como também é visto no nosso Sistema Solar.

"Nós descobrimos o que provavelmente é o sistema com mais planetas já descoberto", diz Christophe Lovis, autor do estudo. “Esta descoberta notável também destaca o fato de que agora estamos entrando em uma nova era na investigação de exoplanetas: o estudo dos sistemas complexos e não apenas dos planetas individualmente. Estudos dos movimentos planetários no novo sistema revelam complexas interações gravitacionais entre os planetas e nos dão pistas sobre a evolução a longo prazo do sistema." A equipe de astrônomos usou o espectrógrafo Harps, ligado ao telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul) em La Silla, no Chile, em um estudo de seis anos da estrela HD 10.180, situada a 127 anos-luz de distância, ao sul da constelação de Hidra Macho.

Observatório Astronômico em La Silla, no Chile
Foto: Mulher das Estrelas (blog)
Graças ao Harps, os astrônomos detectaram os minúsculos movimentos da estrela causados pelo complexo de atração gravitacional dos cinco ou mais planetas. Os cinco sinais mais fortes correspondem aos planetas com massas semelhantes a Netuno - entre 13 e 25 massas terrestres - que orbitam a estrela, com períodos que variam de cerca de 6 a 600 dias. Esses planetas estão situados entre 0,06 e 1,4 vezes a distância Terra-Sol de sua estrela. "Também temos boas razões para acreditar que existam mais dois planetas", diz Lovis. Um deles seria um planeta como Saturno (com 65 massas terrestres) e órbita de 2.200 dias. O outro seria o exoplaneta menos massivo já descoberto até hoje, com uma massa de cerca de 1,4 vezes a da Terra. Ele estaria muito perto da sua estrela, a apenas 2% da distância Terra-Sol. Um ano neste planeta duraria apenas 1,18 dias terrestres.
"Este objeto teria um efeito na estrela de apenas 3 km/hora- mais lento que a velocidade de caminhada - e este movimento é muito difícil de medir", diz o membro da equipe Damien Ségransan. Se confirmado, este objeto seria um outro exemplo de um planeta rochoso quente, semelhante ao Corot-7b. O sistema recentemente descoberto de planetas em torno de HD 10180 é único em vários aspectos, diz o ESO. Primeiro, com pelo menos cinco planetas como Netuno em uma órbita semelhante a de Marte, este sistema é mais povoado do que o nosso Sistema Solar e tem muito mais planetas massivos.

Suposto Sistema Solar parecido com o nosso, tanto em número de planetas
como em distâncias dos planetas
Foto: Notícias Uol
 Além disso, o sistema provavelmente não tem nenhum planeta gigante gasoso semelhante a Júpiter e todos os planetas parecem ter órbitas quase circulares. Até agora, os astrônomos conhecem quinze sistemas com pelo menos três planetas. O último detentor do recorde era de 55 Cancri, que contém cinco planetas, dois deles sendo planetas gigantes. "Sistemas de planetas de baixa massa como o da estrela HD 10180 parecem ser bastante comuns, mas a história de sua formação continua a ser um quebra-cabeça", declara Lovis.

Fonte: Notícias Uol

Como é a vida de um Astrônomo

"Noites e noites em claro, passadas na companhia de poderosos telescópios que apontam a imensidão do céu, num silêncio apenas quebrado pelo barulho do vento e o tritilar dos grilos. Essa é a visão mais tradicional do astrônomo, esse profissional da ciência tantas vezes confundido com adivinhos. Mas, por incrível que pareça, é uma visão bem distante do dia-a-dia dessa profissão. A Astronomia é diferente da maioria das outras ciências em que podemos interagir diretamente com o objeto de estudo. Afinal, não é possível dissecar, pesar, tocar ou realizar outros experimentos similares com uma estrela! Por outro lado, a luz que os corpos celestes emitem carregam informações que podem ser compreendidas pelo astrônomo. Seu trabalho consiste, resumidamente, de uma sistemática em que é preciso saber formular questões, pesquisar e obter dados relevantes, levantar hipóteses e então testá-las."
Com certeza, a vida de um astrônomo não é fácil!
Primeiro, pra ser um astrônomo tem que estudar muito, pra se formar demora bastante! Bacharelado: 4-5 anos, pós-graduação; mestrado: 2-3 anos, doutorado: 4-5 anos. Desde o ingresso no vestibular deve demorar uns 10 anos para se tornar doutor em astronomia. Mas a boa notícia é que já começamos a ganhar bolsa de estudos ainda no bacharelado (bolsa de iniciação científica). Nenhum estudante que eu conheça faz ou fez pós-graduação sem bolsa de estudos. A bolsa não é alta mas dá para viver. Tudo isto é válido para estudar no exterior também. Alguns países não exigem o título de mestrado antes de cursar o doutorado. Mas no Brasil é regra geral fazer mestrado. Existem alguns casos de alunos de doutorado sem título de mestrado, mas são casos especiais.
Segundo: Tem que ser muito dedicado, amar Astronomia mais que tudo pra aguentar tudo o que vier, noites mal dormidas, vários dias observando 'tal' ponto determinado, aquele tema.


Navegando pela Internet, sempre encontramos o que queremos. Assim foi comigo. Entre sites e blogs, achei este blog aqui, que me chamou bastante atenção: Mulher das Estrelas. A dona do blog é uma astrônoma, pelo que eu entendi, e ela responde perguntas sobre a sua profissão; o que precisa pra ser um astrônomo, quanto tempo demora, enfim. Aqui vai o post dela sobre como é a vida de um astrônomo.
"Primeiro, o astrônomo precisa obter tempo de observação em algum telescópio. Para tal é necessário enviar projetos para os diversos observatórios que possuem os instrumentos adequados à pesquisa em questão. Por exemplo, digamos que eu esteja interessada em saber porque as estrelas possuem cores distintas, e se as cores estão relacionadas com as outras propriedas físicas das estrelas, como por exemplo idade, massa, tamanho. Neste caso eu teria que observar uma amostra de estrelas de diversas cores com um instrumento que possa medir a intensidade do brilho utilizando diversos filtros de diversas cores. Neste caso eu estaria fazendo fotometria e necessitaria de uma câmera CCD (parecida com uma câmera digital acoplada ao telescópio) de boa qualidade e equipada com diversos filtros e boas condições atmosféricas durante a observação. Eu teria então que estimar quantas noites seriam necessárias para completar as observações e enviar o pedido para o observatório escolhido. Depois de julgado por uma comissão de especialistas o projeto poderia ser aprovado ou não. Caso fosse aprovado, bastaria comprar a passagem para a viagem, fazer a reserva no hotel do observatório e seguir para alguma montanha do mundo. Devo mencionar que geralmente o astrônomo vai observar com tudo pago por alguma agência de fomento à pesquisa. Os observatórios oferecem a logística necessária para o astrônomo se desligar do mundo e se concentrar nas observações. São várias noites, e em alguns casos até meses de observações e anos de preparação e análise dos dados. A vida de observador é uma vida fora da realidade, inclui dormir poucas horas, tomar café da manhã na hora do almoço e preparar o telescópio para a noite que em certas latitudes durante o inverno pode ser bem longa, chegando a mais de 13 horas consecutivas. Em alguns observatórios, o lanche da meia-noite é o high-light da noite. Astrônomos se revesam com os assistentes e colaboradores para um lanchinho que pode ser degustado no restaurante do observatório. No inverno, a esta altura o astrônomo já está observando a mais de 5 horas e um omelete quentinho tem um sabor inimaginável e recarrega as baterias para as outras 6-7 horas que vem pela frente.
Observatório Astronômico de La Silla (no Chile).
Em outros observatórios, o lanche da noite é preparado com antecedência pelos cozinheiros e entregue ao astrônomo antes de subir para observar ao entardecer. Hoje em dia o astrônomo passa pouco tempo na cúpula aberta onde fica o telescópio. Como tudo é computadorizado, o astrônomo, muitas vezes acompanhado de um assistente noturno, fica em uma sala de observações monitorando tudo pela tela do computador Uma sala típica de observação tem de tudo: computadores, livros, calculadoras, frutas, sanduíches, biscoitos, muito, muito café e música de fundo. Dependendo do tipo de observação o intervalo entre um objeto e outro a ser observado é relativamente grande. Muitas vezes o mesmo objeto precisa ser observado durante um longo período de tempo para que se obtenha uma boa imagem. Seria como tirar uma fotografia com o obturador da máquina aberto. A espera pode ser entediante e a internet ajuda a passar o tempo e a preparar os dados recém obtidos para a primeira análise. Mais para o fim da noite o cansaço vai batendo e a produtividade caindo. Eu combato o cansaço com música bem alta, e se estou sozinha canto e danço entre uma observação e outra. Sair caminhando pela montanha a noite é super interessante. Várias cúpulas abertas com os telescópios apontando para a escuridão da noite e muita música de fundo. Às vezes se acha algum astrônomo passeando com uma lanterninha na mão a caminho do hotel. Isto é sinal de que algo de errado aconteceu durante as observações e tiveram que fechar a cúpula. Pode ser um problema técnico ou nuvens! E nas noites nubladas o restaurante é mesmo a única opção, a não ser que alguém organize alguma reuniãozinha. Alguns observatórios tem sala de projeção para um cinema, sala de jogos, videos e televisão. A internet mantém o astrônomo, que está alienado na montanha, informado do que se passa no resto do mundo e ajuda a passar o tempo. É na montanha também que os astrônomos têm a oportunidade de conhecer outros astrônomos do mundo inteiro"
Concluindo, a vida de um astrônomo não é fácil mesmo! Mas quando se ama uma coisa, ah, enfrentamos tudo o que vier pela frente. Esta profissão, apesar do cansaço de várias noites em claro observando, é muito gratificante. É totalmente lindo cada descoberta, cada estrela ou planeta que se observa, se estuda. Vale muito a pena!
Em breve, postarei mais sobre Como é a vida de um Astrônomo.
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